quarta-feira, 6 de março de 2013
Ninféia
Haviam três ninfas naquele enorme lago, Sirona, Sibele e Serena. Sirona vivia com a cabeça nas estrelas, sempre olhando pro céu a espera de algo maior. Sibele era mais severa, brincava pouco e era a mais linda das três. Serena era a mais nova e a mais agitada, o oposto de seu nome. Todas possuíam uma beleza transcendental e uma voz mágica e encantadora, suas risadas faziam os rios pararem com seus eternos borbulhares pra poderem escutar mais atentamente aquele som divino e feliz.
Os séculos passaram e nada mudou, o lago que elas habitavam já não cabia mais cadáveres, milhares de homens que se afogaram com o som intenso da voz das ninfas. Agora aquele lago era um lugar fétido e com corpos em decomposição. As ninfas, como eram seres mágicos, não sentiam o cheiro forte de putrefação do local. Em pleno século XXI o lago foi fechado e o local foi considerado área de risco de afogamento. As ninfas sem entenderem nada, ficaram sozinhas e mudaram de lago. Mais mortes em outro lugar, mais risco de afogamento pras autoridades.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Vazio.
Ela estava completamente nua e sentia frio. Suas lágrimas escorriam por seu rosto e caíam naquele chão de barro. Ela estava tão acostumada com a escuridão, que as sombras do ambiente já lhe eram amigáveis. Toda noite ela deitava, depois de ser abusada e cortada, perto de uma pequena poça de água e chorava até dormir. Sua pele coberta de sangue já não era a mesma de três anos atrás, não havia mais bochechas rosadas, apenas profundas olheiras, era praticamente osso e carne.
Ela não sabia o que havia feito, não entendia como estava ali. Mais uma vez eles entraram, dessa vez não levaram pedaços de sua pele, arrancaram seus olhos e a jogaram lá novamente, ela sentia tanta dor que não conseguia pensar, uma dor tão intensa que a fez apagar. Acordou envolta em uma neblina, sua pele estava fantasmagoricamente branca, seus olhos viam tudo mais nítido, mais colorido e mais... sinistro.
Ela relembrou de tudo e ficou em choque, como poderia enxergar sendo que não tinha mais olhos? Viu que havia um espelho perto e deu um grito ao ver que no lugar de seus olhos, havia dois grandes buracos. Ela não tinha olhos. Acordou do choque e não enxergou nada, só sentia a dor e o sangue escorrendo pelo buraco de seus antigos olhos... Deitou e esperou, ela não demorou chegar, deu um beijo em seu rosto e a levou consigo, levou pra longe dos olhos famintos.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Cristália
Ametista caminhava por aquela caverna havia tempo demais, não conseguia encontrar a saída e nem o fim da escuridão. Suas roupas roxas emitiam uma breve e vacilante luz que a ajudava a andar por ali. Lá ela conheceu o senhor Cristal, tão antigo e preso ali há mais tempo que ela. Tropeçou em cima da madame Diamante, uma peça rara daquela escuridão. Cruzou olhares com o conde Citrino, rico e fino que ele só. Depois de tantos encontros e desencontros ela viu uma luz vindo do alto e um pedaço de metal arrancar-lhe da escuridão, foi torturada, quebrada e lapidada, prendeu-se em um pingente, junto com a Prata, uma metida que ela não suportava. Da escuridão pra ficar no coração de uma efêmera mortal.
-Mas meu senhor, não está com calor?
-O unico calor que sinto é de meu amor
-Mas e sua saúde, dizem que seu coração só tem rancor
-Eu já passei da fase da dor
-Mas é um caos esse seu ardor
-Caos é sua ignorância sem pudor
-Não seja tão bravo, senhor
-Não seja tão ouvinte alheio, pastor
-Ok, fique com seu calor do ardor
-Eu ficarei com a cor do amor.
-O unico calor que sinto é de meu amor
-Mas e sua saúde, dizem que seu coração só tem rancor
-Eu já passei da fase da dor
-Mas é um caos esse seu ardor
-Caos é sua ignorância sem pudor
-Não seja tão bravo, senhor
-Não seja tão ouvinte alheio, pastor
-Ok, fique com seu calor do ardor
-Eu ficarei com a cor do amor.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Lixo aéreo
Um ponto no meio de tudo. Uma mísera alma na multidão destruidora. Eles podem sentir você caminhando no ar e podem fazer você achar que é completo. Eles que não são nem luz e nem sombras, que vivem pra isso, pra pequenos prazeres efêmeros e vazios de sentimentos. No gole da primeira cerveja, na risada de uma piada sem graça, em beijos de dúzias de pessoas que já beijaram outras dúzias de pessoas naquela noite. Nem todos os veem, nem todos os sentem, mas eles interferem em todos. Não é só porque não os vê que não possa existir. Eles não estão em um beijo apaixonado, ou no choro de despedida. Eles não aparecem quando você termina um projeto novo, quando faz uma viagem pra relaxar. O que você faz é o que você atrai.
Gaia
Ela entrou em seu quarto quase que em transe, trancou a porta e suspirou fundo. Lentamente suas roupas foram caindo, seu corpo foi ficando leve, quase como se fosse feita de neblina, sua respiração era quase imperceptível. Seus passos, mais silenciosos que os dos gatos, saltitavam pelo quarto em espirais unidas ao corpo. Ela dançava lentamente, com sorrisos e olhadas pro nada.
O nada que ela olhava era tudo que a completava.
Observei-a durante muito tempo, pura felicidade irradiada na forma de dança, leve e intensa, firme e flexível. Quantas risadas, quanta música e quanta pureza. Ela não dançava sozinha, ela dançava com as batidas da Terra.
O nada que ela olhava era tudo que a completava.
Observei-a durante muito tempo, pura felicidade irradiada na forma de dança, leve e intensa, firme e flexível. Quantas risadas, quanta música e quanta pureza. Ela não dançava sozinha, ela dançava com as batidas da Terra.
Tintura
Seu corpo tremia de excitação e medo. Poderiam ser pegos, vidas em risco? Não, apenas memórias em risco. Arriscar um futuro incerto do que um presente petrificado é algo tolo e perigoso. Mas eles eram, queriam e desejavam. Saíram do cinza e foram pro colorido. Confusão, cores, misturas, dores, dramas, felicidades, músicas que te expressam. O colorido era demais, as cores eram demais, deitaram-se e fizeram a cor da vida escorrer, pularam pelos corredores e chegaram tarde demais. Cores de rio vermelho sangue corriam por seus pulsos.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Isobel
Isobel levantou-se e arrumou, era mais um dia, com mais uma oportunidade de se apaixonar, passou o seu melhor perfume e usou seu vestido favorito. Foi ao trabalho, recebeu elogios de como estava linda, trabalhou, andou, fez suas obrigações diárias e voltou pra casa.
Sem amores, sem felicidade e sem sentir-se completa. Chorou até dormir.
Isobel levantou-se e arrumou, era mais um dia, com mais uma oportunidade de se apaixonar, passou o seu melhor perfume e usou seu vestido favorito...
E foi assim todos os dias de sua vida, sem perceber que o amor estava dentro dela. Morreu triste, sozinha e com poucos amigos, nunca teve um amor e nunca sofreu por amor. Isobel caiu aqui e morreu aqui, sem grandes esperanças.
Sem amores, sem felicidade e sem sentir-se completa. Chorou até dormir.
Isobel levantou-se e arrumou, era mais um dia, com mais uma oportunidade de se apaixonar, passou o seu melhor perfume e usou seu vestido favorito...
E foi assim todos os dias de sua vida, sem perceber que o amor estava dentro dela. Morreu triste, sozinha e com poucos amigos, nunca teve um amor e nunca sofreu por amor. Isobel caiu aqui e morreu aqui, sem grandes esperanças.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Cadê?
As vezes quando falta inspiração, mas você quer escrever
O que podemos fazer?
Sei lá, talvez olhar pro além
Quem sabe dentro de ninguém
Talvez escrever demais pode cansar
E sem inspiração tudo pode piorar
Quero escrever um texto zen
Mas me falta inspiração, ah nem
Desisto de tentar escrever, vou partir
Adeus pra você, adeus sem rir.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Tênue
Tão flutuante quanto folhas ao vento
Cansado desse eterno tormento
Transformei em folhas no rio
Talvez congele com o frio
Petrificarei
Pararei
Renascerei
Rei.
Biografia.
Eu fui obrigado a aceitar meu destino e sair daquele lugar, meu lar. Fui enviado pelos sábios e deveria proteger o ventre e a antiga sabedoria. Chorei de medo, mas ali todos me conheciam por Luz, eu sabia que levaria Luz onde quer que eu fosse.
Até hoje sinto o vazio de ter abandonado, por conta do destino, o ventre. Já caminhei tanto e percebo que continuarei andando, existem muitos seres que precisam de Luz.
Hoje a energia que habito chama-se Ronan,a prova de que a Luz também existe nas sombras. Eu sou, eu fui e eu infelizmente voltarei, até que o destino me dê o prazer de rever o ventre.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Alice clichê
Eu esperava encontrar o coelho ali, mas não sabia se ele iria demorar.
Então continuei o meu caminho, com ou sem relógio, sem companhia visível... visível para os humanos, pois as invisíveis eram tão visíveis pelos meus olhos que chegava até a confundir o real do imaginário.
Uma hora o caminho foi bloqueado, não sabia ao certo o que era ou como sair, só sabia que não conseguia continuar. Havia risadas e mágoas, tão visíveis ao meu redor que cheguei a perder a visão, só conseguia sentir o terror... E então ele apareceu!
Sua voz espantou aquelas horripilantes criaturas, mesmo assim o caminho parecia bloqueado. Estava acorrentado? Talvez, mas não por correntes de ferro, e sim por emoções trancafiadas durante estações. Elas estavam tão presentes, tão intensas, que a única coisa que consegui fazer foi deixar lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Ele viu, ele não podia deixar isso acontecer e me abraçou! Seu abraço apertado me aqueceu, sua voz em meus ouvidos era tão suave e linda que conseguiu me tirar do frenesi de emoções maléficas. Eu queria ficar ali, queria morrer naqueles braços eternos e aconchegantes. Ele me soltou e eu continuei o meu caminho, até encontrar aquela toca...
Então continuei o meu caminho, com ou sem relógio, sem companhia visível... visível para os humanos, pois as invisíveis eram tão visíveis pelos meus olhos que chegava até a confundir o real do imaginário.
Uma hora o caminho foi bloqueado, não sabia ao certo o que era ou como sair, só sabia que não conseguia continuar. Havia risadas e mágoas, tão visíveis ao meu redor que cheguei a perder a visão, só conseguia sentir o terror... E então ele apareceu!
Sua voz espantou aquelas horripilantes criaturas, mesmo assim o caminho parecia bloqueado. Estava acorrentado? Talvez, mas não por correntes de ferro, e sim por emoções trancafiadas durante estações. Elas estavam tão presentes, tão intensas, que a única coisa que consegui fazer foi deixar lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Ele viu, ele não podia deixar isso acontecer e me abraçou! Seu abraço apertado me aqueceu, sua voz em meus ouvidos era tão suave e linda que conseguiu me tirar do frenesi de emoções maléficas. Eu queria ficar ali, queria morrer naqueles braços eternos e aconchegantes. Ele me soltou e eu continuei o meu caminho, até encontrar aquela toca...
quinta-feira, 19 de julho de 2012
O livro de Gaia.
Andava por aquele corredor antigo, o papel de parede estava descolando e as teias de aranha reinavam no teto. Andava lentamente e mesmo assim meus pés faziam um barulho capaz de acordar qualquer um. Entrei naquele cômodo e uma lareira estava acesa, sentei em uma poltrona vermelha e empoeirada, não importava mais, aquilo era transcendental já.
Um livro antiquado, com capa marrom e folhas amareladas aparece em meu colo, abro-o e começo a ler, ler, ler...
Um dragão vermelho sái da lareira e transforma-se em uma mulher poderosa e deslumbrante, com uma aura puramente vermelha, puramente fogo. Ela me olha com aqueles olhos selvagens e indomavés e quando falou sua voz dominou todo o aposento:
-Nenhum humano pode ler esse livro, você terá que morrer!
E no momento exato que ela iria me matar, aparece uma mulher pela porta. Ela irradiava luz branca, uma energia calma e explosiva, um frenesi. Ela fala, sua voz era como o sussurro dos ventos em uma floresta, como um lago cristalino em uma noite de lua cheia:
-Não, você não o matará, volte pra sua casa!
A mulher-dragão encolhe-se toda com a força de Gaia e volta pra lareira, a mulher-de-luz chega perto de mim e com um suspiro a casa desaparece.
Um livro antiquado, com capa marrom e folhas amareladas aparece em meu colo, abro-o e começo a ler, ler, ler...
Um dragão vermelho sái da lareira e transforma-se em uma mulher poderosa e deslumbrante, com uma aura puramente vermelha, puramente fogo. Ela me olha com aqueles olhos selvagens e indomavés e quando falou sua voz dominou todo o aposento:
-Nenhum humano pode ler esse livro, você terá que morrer!
E no momento exato que ela iria me matar, aparece uma mulher pela porta. Ela irradiava luz branca, uma energia calma e explosiva, um frenesi. Ela fala, sua voz era como o sussurro dos ventos em uma floresta, como um lago cristalino em uma noite de lua cheia:
-Não, você não o matará, volte pra sua casa!
A mulher-dragão encolhe-se toda com a força de Gaia e volta pra lareira, a mulher-de-luz chega perto de mim e com um suspiro a casa desaparece.
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