segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sei que estou gastando meu tempo, um tempo que não volta mais. Mas também sei que aproveito o tempo que gasto, rio do que passei e choro com o que não consegui fazer, perdi. Respiro fundo e caio no abismo, nunca saí de lá, na verdade. A vida é escura e estamos em constante queda. A gravidade nos faz cair, a idade nos faz cair, o cabelo cai, a unha cai... Então por que nós também não estamos caindo? Vivemos no abismo, no fim e no início sempre. É tudo escuro e as vezes esbarramos em outras pessoas que estão na mesma queda. Criamos casas, sonhos, puro frenesi. Mas o que nos espera no fim do abismo? O fim ou apenas outra queda?

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Gênero.

Ele é ela.
Ela é eu.
Eu sou homem, mas sou ela.
Ela é feminina mas é máscula.
Ele mia.
Ela late.
Ele é linda e bicha.
Ela é maravilhoso e sapata.
Ele é esquerda e ela é direita.
Elxs não tem gênero.
Elx desconstrói.
Elx muda.
Elx versus elx.
Liberté, egalité, fraternité.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Homenagem.



Era como as estrelas, eu sabia de seu potencial e seu brilho incandescente, mas não podia tocar. Eram poemas que sentia sem ler, leveza da brisa que não me tocava, desejos de sentir que não teria. Se for possível sentir a distância, a maior prova era ele. Sabia como era o seu sorriso, mesmo sem nunca tê-lo visto. Vivemos em um mundo de grandes estrelas iluminadas, sabemos que elas existem, sabemos que brilham, só não sabemos como podemos tê-las.
Sonho com o dia que serei astronauta de estrelas, capturando-as e recebendo seu brilho com carinho. Mas sei que o sonho é o oposto do medo, tenho medo de chegar tão próximo e me cegar com tamanha magnitude, medo de ser egoísta e querer seu brilho só pra mim, medo de me apaixonar. Sonho, sonho com brilhos e sonho de sonhar. Os sonhos iluminados são mais fortes que os medos, sei que tenho medos profundos.
Sei que tenho sonhos capazes de preencher a lacuna que os medos trazem.
Sei que sonho.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

exposição.


As lágrimas escorriam pelo rosto daquele garoto, ele sabia que era um idiota por chorar, depois de tantos anos como ele ainda não era forte¿ Ele havia criado barreiras de ferro ao seu redor, esquecendo-se que o ferro enferruja com as lágrimas.
Ele fechava os olhos e conseguia ver todas as cores, ele sentia o Amor em seu mundo, em sua vida. Mas ele não sentia o Amor ali, não naquele momento. Levantou-se e saiu, andava descoordenadamente pela cidade escura, nem os sapatos havia calçado, ele era o chão. Ninguém o percebera, ninguém o notara, ninguém sabia.
Parou bruscamente quando seus pés tocaram algo gélido, olhou pro chão e viu a grama banhada no mais puro orvalho, pequenas gotas prateadas iluminadas pela luz da lua cheia. Em um surto psicótico de prazer ele entrou, todo o arco-íris interior que ele enxergava apenas dentro de si agora encobria o mundo ao seu redor. O Amor é só uma questão de enxergar. Olhos para enxergar, olhos para sentir, olhos pra ser.

Névoa

O essencial é perceber a magnitude do que não podemos alcançar. Ser estrela é fácil, o impossível é alcançar a lua. Estar no topo todos podem estar, o que ninguém sabe é ser árvore.

Quão grande eu sou¿ Quão grande você é¿


A condição mortal da limitação física, ser finito em corpo e infinito em alma. Mas se minha alma algum dia foi criada, não sou infinito, tive início e terei fim. Sou parte daquele que não está no tempo, então sou fim de alma e início de não ser. Penso, logo existo. Não penso, logo evaporo.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Reconstrução self(iana)

Se todos os Deuses são apenas a manifestação de uma luz viva maior, por que eles brigam entre si?

terça-feira, 12 de novembro de 2013

(Cu)eldade

Uma sereia em alto mar, disseram os marinheiros. Foi tudo culpa da sereia, ela nos enfeitiçou e com sua mortal voz ordenou as nossas loucuras! Não sei do que fiz e nego tudo, elas são ardilosas e podem dominar a raça humana. O vinho que tomei era de álcool puro, ela me forçava a beber e beber e beber. Dionísio confirma minha história, a loucura dos meus atos, se é que de fato houve loucuras, pois nego a todos, foram causadas por aquela voz cruel que assumia as mais variadas formas. Comecei com um corpo delineado, seios fartos e quando acordei, era um de meus colegas ao meu lado. Nego todo o acontecido!

Relatos de um marinheiro que não assumia a orgia dos navios.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Despedida carinhosa aos animais de estimação.



ORAÇÃO
Descanse nos braços amorosos da Mãe Natureza.
Que ela acolha o seu corpo e acalente a sua alma na morte,
como em vida você foi amado e acolhido.
Você passou por todas as estações da vida.
Na primavera, era um filhotinho,
cheio de vida, energia e curiosidade,
e foi crescendo dia após dia.
No verão, chegou à juventude,
explorando, brincando e aprendendo;
aprendeu a amar sua família humana
e a se adaptar aos ritmos da vida.
Dos dias quentes de verão
ao frescor e amadurecimento do outono,
você foi nosso amado amigo e companhia.
Fiel em seu amor, verdadeiro em seu coração, leal na sua amizade;
ofereceu a todos nós amor incondicional
e nos protegeu de todos os perigos.
Um dia o inverno chegou.
Os seus passos foram ficando mais lentos,
com a idade, o seu amor se sublimou.
Tornou-se mais puro, mais maduro,
mais precioso.
Agora o inverno acabou, meu amiguinho.
Precisamos libertá-lo para que encontre
outra primavera.
Que a sua alma se eleve e encontre os braços amorosos da Natureza.
Que os espíritos do Fogo iluminem o seu caminho nesta nova jornada.
Que os Espíritos do Ar o acompanhem com uma canção alegre.
Que os Espíritos da Terra o libertem das areias do tempo .
E que os Espíritos da Água suavizem a sua transição.
Que as forças da divindade abrandem a dor do nosso coração
e nos ajudem a nos adaptar à sua ausência.
Que a sua alma possa ser livre
E brilhar com as estrelas no céu.
Se você ainda sofre com o apego aos amores terrenos,
Saiba que estamos bem,pode descansar o seu Espírito.
Quando a sua alma estiver renovada,
Você adquirirá uma nova forma
E voltará a compartilhar o seu amor com a sua família.
Nosso coração e nossas portas
sempre estarão abertos para você,
caso escolha um dia voltar.
Abençoado seja.




Extraído e adaptado de "Pet Memorials", de Elizabeth Hazel, Llewellyn's 2008, Witches Companion.

Desespero efêmero.

Assim como um desespero, a vida é efêmera.
Sabemos aproveitar o que nos foi presenteado, sim. Mas não sabemos perder o presente.
Somos eternamente gotas prestes a cair de uma mesa. Um copo de humanos derramados em uma vasta mesa de bar divino. Sempre prestes a cair, mas segurando até o último momento, antes que venha um atrás de você e o empurre para o vazio.
O que está depois do vazio? Mais uma mesa ou apenas a escuridão?

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Uma vez me disseram que a vida era bela. Também já me mostraram sonhos tão impossíveis quanto contar as areias de uma praia. É um ponto de vista de Perséfone, dentro do submundo eu encontro o doce sabor da romã, fora existe o desespero de não saber o que me aguarda lá embaixo. Será que vale a pena comer da romã? Como sangue em correria ela te preenche.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Luz

Seria perda de tempo informar os detalhes! A lua brilhava, quase minguando. O círculo permanecia quente, mas meu interior congelara, minha força havia sido sugada para a Terra. Meu sangue a alimentava e eu esperava meu fim, finalmente seria novamente o Senhor do submundo, a espera da promessa final! Ela sorria pra mim, agora Ela tinha forças pra suportar, minha energia era sua energia, meu sangue era seu sangue. Minha vida era sua... Dei a vida e voltei ao começo de tudo, seu útero de luz e renascimento.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Teoria do Caos


Mandei torcer folhas de troncos no jardim do caos
As folhas caíram diante do pedestal
O branco do mármore queimava meus olhos
O vermelho escorria por entre suas mãos
O sangue caía por seus olhos
A multidão aplaudia o show de horrores
Seus olhos não mentiam
Mas quem conseguia enxergar?
Cada um com o próprio sangue no olho
Tampando a visão real
Irreal
Risadas que te machucam
Onde está a graça da dor?
Está no jardim do caos.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Falta de ar

Como água-viva flutuando no ar
Agarrado fora do seu lugar
Flutuando como se não houvesse amanhã
Ou pior, como se houvesse
O desespero vem depois do pensamento
A solidão de flutuar te causa calafrio
O temor é mais forte

Como água-vida flutuando no céu
Espero algo que faça ser visto
A visão do céu é maior daqui
Do que de lá de cima
É a visão das estrelas.